Com ajuda de pai e assistência da UnB, aluno vence dificuldades e se forma em História

Ao longo dos dez semestres que cursou, Luiz Bichir contou com o auxílio de tutores e principalmente do pai, que vendia marmitas para ficar próximo do filho

Por Ana Luisa Padilha e Isadora Dueti

Luiz Bichir, ao lado do seu pai uma das pessoas que mais o ajudou e incentivou a concluir o curso de História na UnB. (Foto: Arquivo pessoal). #PraCegoVer: pai e filho juntos na formatura do Luiz. Seu Luis agachado ao lado do filho, este vestido de beca.

Luiz Antônio Bichir Garcia, 29 anos, tem paralisia cerebral e formou-se em História na Universidade de Brasília (UnB), no dia 22 de setembro de 2017. Após dez semestres de luta e dificuldades, Luiz concluiu o curso com ajuda de seus familiares e de tutores vinculados ao Programa de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (PPNE) da UnB.

O pai do graduado, Luís Antônio Garcia, 60 anos, foi uma das pessoas que mais auxiliou nessa conquista. Vendendo marmitas desde o segundo semestre do filho na universidade, seu Luís como é conhecido pagava os gastos e ainda podia ficar perto de seu filho para ajudá-lo com a formação acadêmica.

Seu Luis, pai de Luiz, o acompanhou durante os dez semestres que o filho esteve na UnB. (Foto por: Isadora Dueti). #PraCegoVer: Seu Luis sentado em um baco do ICC na UnB.

Seu Luís e a família vieram de São Paulo para Brasília, em 1994, para que seu filho pudesse fazer exames no Hospital Sarah Kubitschek e acabaram se estabelecendo na cidade. Em 2012, ao prestar o Programa de Avaliação Seriada (PAS), Luiz optou pelo curso de História e ingressou na Universidade de Brasília.

A falta de acessibilidade é o principal desafio enfrentado por alunos com deficiência na universidade, como relata seu Luís: “As maiores dificuldades são de locomoção. Quando ele entrou, havia problema de banheiro não adaptado e também muito buraco (…) Os elevadores quase nunca funcionam, em época de chuva não tem área coberta para descer o menino do carro…”. Outro problema também foi a questão dos horários, pois havia aula o dia inteiro, o que dificultava para os dois passarem tanto tempo na faculdade.

Seu Luís conta que foi uma adaptação, mas sempre incentivou o filho. Eles contaram com a ajuda do PPNE, um programa de auxílio às pessoas com necessidades especiais dentro da universidade, cujas funções incluem a alocação de salas para o térreo ou em prédios mais acessíveis, dar apoio aos tutores e orientar na execução de obras que incluam a acessibilidade na instituição de ensino.

Os tutores são alunos matriculados ou que já cursaram a disciplina e que se dispõem a ajudar o colega com necessidade especial, sempre respeitando e se adaptando às peculiaridades de cada um. No caso do Luiz, ele contou com dois tutores em cada semestre: um para ajudá-lo com as anotações da aula e outro com as leituras dos textos. Porém, nem sempre havia tutores disponíveis, uma vez que eram alunos voluntários. Por isso, muitas vezes o pai também auxiliava o filho em casa com os textos e trabalhos da faculdade.  

Após a formatura, a família precisará se mudar para que Luiz possa realizar uma cirurgia na Universidade de Campinas, Unicamp. O recém-graduado da UnB pretende continuar estudando e quer fazer a faculdade de Comunicação Social. Em post de despedida no Facebook, Seu Luís agradeceu a todos que os ajudaram, incluindo os alunos que compraram suas marmitas e assim contribuíram para essa realização.

 

 

 

 

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