Campus Online: menos é mais!

Com uma equipe bem menor que em semestres anteriores, o jornal laboratório volta ao ar em grande estilo, ambicioso e muito bonito graficamente. Contudo, ainda peca em detalhes que fazem a diferença

 

As redações jornalísticas estão cada vez mais enxutas, isso é um fato. Mesmo para os profissionais da área, que trabalham integralmente com isso, manter o fluxo de notícias no online com equipes reduzidas é um desafio. Fazer um produto baseado nas redes sociais, com uma equipe de apenas 17 pessoas é um feito que deve ser valorizado. Foi isso que o Campus Online conseguiu na volta para mais um semestre.

O Campus impressionou desde a divulgação com uma sinergia louvável da equipe. Parceria com a UnB em posts no Twitter e em ação no RU certamente cativaram um público novo e cumpriram com o objetivo de extrapolar a Faculdade de Comunicação.

Passada essa etapa, era preciso entregar conteúdo de acordo com a expectativa criada. Pautas divertidas e com apelo a diversos públicos que compõem a UnB permearam todas as plataformas. Destaque para o novo Campus Café, apresentadores fixos e com boa dinâmica, sem falar na edição especial de sábado, cuja montagem deixaria muitos profissionais com inveja.

Outros pontos que valem lembrança foram as artes do Instagram e do Facebook que impressionaram, mostraram unidade e estilo próprios e de alto nível.

Mesmo assim, sem dúvida, o ponto alto dessas duas primeiras semanas de Campus no ar foi a matéria especial das repórteres Ana Luísa Padilha e Isadora Dueti. O texto conta a história de seu Luís, que vendia marmitas na UnB para ajudar a família e ficar mais perto de seu filho portador de paralisia cerebral, que venceu as dificuldades e se formou em história na UnB. Simples, bem escrita, direta, emocionante e informativa, parabéns às envolvidas.

Ambição e tropeço

A novidade deste semestre foi a preocupação, mais do que necessária, com a acessibilidade de pessoas com algum tipo de deficiência às postagens. A ideia é ótima e mais que bem-vinda, já que sempre fora negligenciada, seja por dificuldades técnicas ou outros motivos. As contas do Facebook e Instagram deram um show nesse quesito utilizando a hashtag pra cego ver, em que eram descritas as imagens postadas.

Mas como com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, os vídeos postados não foram legendados, nem mesmo os de que se teria mais controle, como o Campus Café edição especial. Creio que há diversas explicações plausíveis para os outros vídeos, como a rapidez de postagem e a disponibilidade técnica, mas o programa da casa que é gravado com antecedência e dá exemplo de edição não pode deixar isso passar.

No site há uma ferramenta que promete traduzir os textos para a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS), que não funcionou quando tentei acessar.

No Twitter a equipe parece ter abandonado a ideia da acessibilidade, sem a #pracegover. Ao contrário, muitas vezes criando verdadeiros enigmas para alguém que não consegue enxergar. Isso acontece no caso do tweet sobre sexta-feira 13 e os gatos da UnB, vejam como complica o entendimento se não virmos a foto.
É sempre ótimo ter boas ideias, mas quando se promete é preciso cumprir.

EMBED DO TWEET: <blockquote class=”twitter-tweet” data-lang=”en”><p lang=”pt” dir=”ltr”>Vocês já viram que dia é hoje? Hoje é sexta-feira 13, e olha quem tá se escondendo do seu preconceito! <a href=”https://t.co/EyXTvlwSAI”>pic.twitter.com/EyXTvlwSAI</a></p>&mdash; Campusito (@campusitounb) <a href=”https://twitter.com/campusitounb/status/918923985307435008?ref_src=twsrc%5Etfw”>October 13, 2017</a></blockquote>
<script async src=”//platform.twitter.com/widgets.js” charset=”utf-8″></script>
LINK: https://twitter.com/campusitounb/status/918923985307435008

Cadê o editor?

Falando no Twitter, a unidade de voz do Campusito foi comprometida em certos momentos, quando a personagem tão carismática se comportava de uma forma em um tweet e de maneira distinta em outro. Isso quebra a experiência do leitor, que não sabe ao certo o que esperar dessa plataforma.

Enquanto que, no site, matérias promissoras foram publicadas incompletas ou bagunçadas, terminando abruptamente. É o caso da matéria sobre os moradores de acampamentos próximos à UnB, que estava indo muito bem experimentando um estilo próprio de jornalismo literário, mas que carece de outras vozes, como especialistas, alunos e o governo. Assim o contexto seria mais bem estabelecido, permitindo ao leitor formular um pensamento mais completo acerca do tema.

Já o texto sobre o uso de bicicletas por alunos da universidade, tema abordado também por outras plataformas, apesar de ouvir várias pessoas, perde-se em uma construção pouco clara e que confunde, ao invés de explicar melhor o tema das bicicletas na UnB.

Enquanto lia, percebi um grande potencial desperdiçado de ambas as pautas. Afinal, mudanças simples fariam toda a diferença. Nesse momento, só conseguia pensar em uma pergunta: onde estava a/o editora(o)?
O Campus é uma matéria da Faculdade de Comunicação, e os repórteres estão lá para aprender. A figura de alguém que cuide de seus textos pode ser determinante.

QUEM É O OMBUDSMAN? Mateus Maia é estudante do sexto semestre de jornalismo da UnB, é de Belém do Pará, ex-editor-chefe do Facebook do Campus Online e seus elogios ou críticas são apenas com a intenção de tornar o veículo e seus componentes cada vez melhor e referência para outros jornais laboratórios do Brasil.


OMBUDSMAN RECOMENDA: Matéria sobre o vírus da Leucemia felina (https://www.facebook.com/onlinecampus/videos/vb.142556469173678/1421166321312680/?type=2&theater) ; Pesquisa do @campusito sobre quem já errou de 110 (https://twitter.com/campusitounb/status/918922621454114816); Matéria sobre Luís e seu filho formado em história pela UnB (http://campus.fac.unb.br/2017/10/12/com-ajuda-de-pai-e-assistencia-da-unb-aluno-vence-dificuldades-e-se-forma-em-historia) ; Matéria sobre alunos que mudaram de curso (https://www.instagram.com/p/BZ58_GwBX62/?taken-by=campusonline).

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