Alunos com deficiência ajudam na conservação de bens culturais da BCE

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais DF (APAE-DF), em parceria com a UnB, promove o projeto Higienização e Pequenos Reparos de Bens Culturais na Biblioteca Central (BCE) com alunos deficientes.

Por Allan Michael e Ana Luísa Padilha

 

Com o apoio da Universidade de Brasília (UnB), o projeto realizado por estudantes excepcionais da APAE funciona de segunda a quinta-feira e consiste em três etapas. Primeiro os alunos passam por um período de qualificação, como um treinamento que determina se estão aptos a participarem do projeto na UnB , depois, caso aprovados, são encaminhados para a BCE (Biblioteca Central), podendo ser indicados às vagas de emprego.

Criado em 2006, o projeto já enviou 52 alunos para o mercado de trabalho por meio do “trabalho apoiado”. Esse emprego funciona da seguinte forma: junto ao aluno, é enviado um(a) voluntário(a) instruído(a) previamente em um curso na APAE, que atua acompanhando o aluno no ambiente de trabalho. Entre os locais que os formados operam estão órgãos públicos, como a Câmara dos Deputados, o Ministério da Justiça, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

“Quando estão aqui, eles realizam um trabalho de altíssima qualidade e fazem parte do processo de convivência dentro da biblioteca”, contou Neide Gomes bibliotecária e especialista em conservação e restauração dos documentos gráficos, além de ser uma das responsáveis pelo projeto na UnB.

O projeto funciona com uma parceria da APAE com a UnB. Esta atua cedendo local e estrutura de trabalho professores para auxiliar, almoço no Restaurante Universitário e, em contrapartida, ganha a higienização de todo o acervo, que já conta com mais de 1,5 milhão de itens, entre livros, periódicos, mapas e etc.

“A biblioteca universitária não pode se isolar da sociedade, ela tem responsabilidade social,  na qual está inserida. Então, além de funcionar como uma biblioteca pública, aberta à toda a comunidade, atua como um agente de inclusão social”, completou Neide.

Na Semana Universitária, foi oferecida uma oficina de Higienização, na qual os instrutores que ensinavam os inscritos eram alunos do projeto. A limpeza de livros é importante para a preservação das obras, além de garantir a saúde do leitor.

“Eles ficam super felizes. Existem famílias que não acreditavam que o filho seria capaz de realizar algum trabalho, por isso, essa oportunidade é incrível para eles. Uma parte das famílias atendidas pela APAE é carente, assim, quando ingressam no mercado de trabalho, o salário entra como uma renda complementar. Há casos de alunos que pagam o aluguel da casa onde moram. Dessa forma, sentem-se valorizados, importantes”, relatou a professora Orlandina de Fátima.

A aluna Juliana Fernandes, 29 anos, conta o que acha do projeto: “Participo há mais ou menos cinco anos. É maravilhoso [participar do projeto], uma experiência muito boa, possibilita-me a ir para o mercado de trabalho.” 

Aluna passa um pincel no livro como uma parte do processo de higienização do acervo. (Foto por: Ana Luísa Padilha)

Atualmente há três professores, cedidos pela Secretaria de Educação, trabalhando no auxílio dos alunos no projeto.

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