Carros estacionados irregularmente na UnB causam transtornos aos frequentadores da universidade

Comodidade e insegurança são algumas das respostas de quem comete essas infrações  

Por Isadora Dueti e Andressa Reis

São onze horas da manhã de uma quarta-feira. Chegando à universidade, antes de dar início às atividades acadêmicas, surge a necessidade de dar uma ida rápida ao banco. Antes, deve estacionar o carro, mas todas as vagas próximas ao estabelecimento já estão ocupadas. É nessa hora que vem a ideia: fazer aquela breve “paradinha” debaixo da placa de proibido estacionar.

Caroline Pena, aluna de Medicina Veterinária da Universidade de Brasília  UnB , reclama da falta de vagas mais acessíveis no ICC Sul. “Às vezes a gente fica rodando, não acha lugar e precisa estacionar o carro muito distante”, relata Caroline. A estudante diz que quando precisa ir à agência do banco, localizada dentro da universidade, coloca o carro no espaço destinado apenas à embarque e desembarque.

Mesmo que momentaneamente, essas paradas são irregulares e ocupam o espaço exclusivo aos veículos especiais que precisam de fácil acesso aos prédios, como ambulância, pessoas com dificuldade de locomoção e transporte de carga e descarga. Em outros casos, essas estacionadas dificultam à locomoção de pessoas, como quando param em frente à rampa de acesso e, até mesmo, o trânsito de outros carros que precisam circular pelas vias e pelos estacionamentos da UnB.

Os funcionários, de uma das empresas de distribuição de alimentos no bloco do ICC Sul, queixaram-se que na maioria das vezes não é possível estacionar na vaga destinada a eles, pois sempre há carros de uso comum ocupando o espaço. Assim, eles acabam se espremendo na alocação exclusiva para ambulância.

Apesar das alegações sobre a falta de segurança ou de vagas, o Diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran, Glauber Peixoto, ressalta que muitas pessoas estacionam de maneira irregular apenas por comodidade, sendo o mais próximo possível do lugar onde desejam ir.
O Departamento de Trânsito do Distrito Federal DetranDF, órgão de fiscalização, faz o mapeamento dos locais mais críticos. No caso da UnB, seriam o ICC Sul e Norte, famoso minhocão, onde se apresenta o maior fluxo de carros. A partir desse mapeamento, o Detran tenta fazer três ou mais operações de fiscalização por semana, tanto durante o dia quanto à noite.

Para melhorar situações caóticas, como as da UnB, o cidadão tem meios de sugerir e reclamar. Pelo telefone 162, a população pode fazer reclamações a respeito de fatos que acontecem com certa frequência e que vão contra o código de trânsito. Após a denúncia, será registrado um boletim de ocorrência, e o departamento de trânsito terá que atender de forma efetiva a demanda.

As infrações por estacionamento podem ser consideradas de leve a gravíssima e em todos os casos podem render remoção do veículo. Além de reajustes severos no valor das multas, o Código Brasileiro de Trânsito sofreu alterações para tornar mais rígido o combate ao não cumprimento da lei. Antes, estacionar em local com sinalização regulamentada especificamente – como em vaga de ambulância, táxi ou carga e descarga – era tido como infração leve, mas desde 2016 a transgressão é avaliada como grave com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na carteira de habilitação. Para saber mais sobre outras penalidades, confira o infográfico ao final da matéria.

O diretor Glauber Peixoto explica que a lei é para todos, seja aluno, professor, servidor ou órgão público ou privado, e sendo assim todos devem obedecer ao código de trânsito. Ele acrescenta que campanhas de conscientização e divulgação das normas de trânsito são possíveis soluções para as infrações observadas. Para o mês de novembro, por exemplo, estão desenvolvendo uma ação que tem como objetivo ensinar aos motoristas como se deve estacionar e quais os locais adequados, além de abordar de forma sucinta o Código de Trânsito.

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