Ex-donos acreditam que estudantes ou curso de Veterinária tomarão conta de gatos na UnB

Animais pagam o preço da incoerência humana e ficam em um cenário cheio de perigos

por : Tayanne Silva

 

Eles estão por todos os lados  com seus jeitos únicos de ser  e usam  miados agudos para chamar atenção das pessoas na Universidade de Brasília (UnB). A presença de uma população de gatos  vêm sendo  bastante  percebida, e mesmo com medidas protetivas feitas por alunos, professores e servidores para castrar, resgatar e cuidar da saúde  desses animais. Ainda existem felinos que estão constantemente à mercê de fome, doenças contagiosas e hereditárias, problemas emocionais e afetivos.

Alguns dos fatores que contribuem para que esses bichos estarem cada vez mais nessa situação de risco são o abandono, a necessidade de serem adotados , a  falta de castração e a espera da boa vontade dos seres humanos em ajudá-los. A estudante de Medicina Veterinária Giovanna Martins, de 18 anos, no começo do ano encontrou uma cria no  Instituto Central de Ciências (ICC)–Ala Norte. “Eu testemunhei um filhote de três meses recentemente  abandonado, ele cheirava a shampoo neutro. Estava bem limpinho, bem cuidado e miando muito como se estivesse procurando alguém. Tinham o largado aqui. Giovanna conta o que mais agrava é o fato que os donos de gatos domésticos abandonam os filhotes ou as pessoas que estão dispostas a ajudar gatos de rua de outras localidades deixam na universidade, por consequência, isso origina mais animais vivendo na rua.

A médica veterinária e especialista em gatos do Hospital Veterinário da UnB- HVet, Christine S. Martins, declarou: “Um gato adulto que foi abandonado pode perder a confiança nas pessoas, pode passar por necessidades. Mais traumatizante porque teve um lar, um contato com amor e depois não tem mais. Ficam confusos por não haver um apoio, gostam de afeto e companhia. Quando é um filhotinho que nunca teve isso, a assistência  emocional vem da mãe dele. Mas em termos de saúde: pode passar fome e pegar doenças na rua como viroses e entre outras”.

“Eu sei que já vi aluno abandonando. Na cabeça dessas pessoas, um gato viver na UnB  pelo menos sendo alimentado com comida e água é o suficiente, mas sabemos que não. Aqui eles não têm amparo, uma família, caixa de areia e fazem suas necessidades no meio do corredor. Não é um ambiente para um gato viver. Precisam ter uma integridade. Já achamos gatos mutilados e com os olhos para fora, são situações que ninguém vê”, diz Thaís Seixas, 24 anos, estudante de medicina veterinária. ”Quando se faz uma doação de posse responsável, é importante passar pelo procedimento de castração, Ovariosalpingohisterectomia (retirada do útero e os ovários da fêmea) e Orquiectomia (retirada dos testículos do macho) impedindo procriação. É preciso fazer nos gatinhos o teste de FIV (Imunodeficiência felina, ou “Aids”) e da FeLV (Leucemia viral felina) e vermifugar”, descreve os procedimentos.

Felinos que nunca tiveram contato com seres humanos são chamados de “ferais”. Ao adotarem, é fundamental paciência e tenham um ambiente aberto que  possam andar e caçar, pois são mais selvagens. Gatos sociáveis podem se adaptar com mais facilidade à ambientes mais fechados.

Goiara Castilho, de 49 anos, professora de psicologia e membro de um grupo informal de protetores independentes de felinos da universidade . Concorda que não esterilizar (castração) é um fator essencial para o aumento da gataria, além do abandono. “ Isso pode causar crescimento exponencial e desordenado “.

“Uma maneira de ajudar é fiscalizar  para que não agrave o número da população, porque acaba criando um círculo vicioso: muita gente não castra os animais,  mantém os pais  em casa  e abandonam os filhotes no ICC – Minhocão e em outros locais do campus. Largam o animal e percebem que as pessoas cuidam, assim, na próxima irão deixar lá novamente ou tirar outros animais da rua e trazê-los para cá”. Outra maneira de amparar segundo a Christine  é , “incentivar os projetos de castração, doando medicação, conseguindo um lar temporário”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *