A universidade e o tabu da liberdade sexual

Opinião

Estudantes relatam como a vivência na universidade influenciou na visão sobre sexualidade.

O tema ainda é tabu, mas tem se tornado cada dia mais comum nas discussões e debates nas universidades do país.

A promoção da diversidade de gênero e da liberdade sexual é uma característica muito marcante da universidade, principalmente devido ao estado democrático do qual ela vive. Esta naturalidade ao discutir tabus parece incomodar determinados grupos. É comum escutar expressões de cunho pejorativo sobre o posicionamento flexível dos estudantes. Apesar disso, a universidade segue apresentando diferentes pontos de vista e reflexões que estimulam o questionamento.

Alguns estudantes da UnB contaram suas experiências no ambiente universitário, mostrando de que maneira essa fase influenciou suas vidas.

Gabriel de Araújo tinha a sexualidade como um tabu.

“Eu negava muito a minha sexualidade e me reprimia. Sempre associava a questão das sexualidades diversas da normativa heterossexual como coisas ruins que eu deveria fugir”, relata o estudante de direito Gabriel de Araújo “A vivência na academia me possibilitou desmistificar algumas coisas e falar de assuntos que para mim eram tabus. Nisso, eu desconstruí muita coisa que eu tinha como verdade e sequer questionava, como a minha própria sexualidade”.  

Gabriel também acredita que há uma abertura maior dos estudantes para discutir sobre o tema. “Hoje eu vejo que uma boa parte dos universitários estão mais abertos a discutir essas questões. Ainda que tenham o pensamento contrário, tem uma abertura em relação às pautas sobre sexo” diz.

A estudante de direito Isabella Maia considera que a UnB influenciou positivamente sua maneira de pensar. “Hoje eu entendo bem melhor as outras orientações sexuais e percebo que a imposição do comportamento heteronormativo ainda é um obstáculo para o respeito ”, ela conta. Isabella acredita que debates são essenciais não apenas para este assunto, mas para todos. O importante é que se mantenha o respeito ao posicionamento de cada um.

Isabella não é a única: por toda a universidade, existem alunos que relatam como mudaram suas visões de mundo através de algumas atividades. Debates, projetos de extensão e coletivos são alguns dos exemplos que ocorrem constantemente pelo campus.

Felipe Oliveira, formado em Letras-Tradução na UnB. “O ingresso na universidade mudou completamente minha vida e a forma como me enxergo ”, conta. 

Para Felipe Oliveira, o acesso a informação durante avivência acadêmica trouxe  autoconhecimento e o respeito as diferenças . “A minha orientação sexual era definida mas o meu entendimento sobre ela não. Um dos pilares da formação acadêmica do meu curso é o entendimento da alteridade, ou seja, o outro como ser diferente e que deve ser respeitado na sua diferença. Foi assim que me entendi como sujeito único, e que deveria buscar a compreensão de quem eu era a partir de mim mesmo e não dos padrões externos. Quando eu me dei a liberdade de questionar o que era a minha sexualidade, entendi que eu era gay”, afirma.

Bem ou mal aceitas pela sociedade, tais questões estão fervilhando os debates internos da universidade. Ao que parece, com crise ou sem crise, a liberdade sexual segue intacta por aqui.

Por Hallana Moreira

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