As dificuldades dos estudantes intercambistas e de outros estados do Brasil

Educação

Todos os anos, estudantes intercambistas e de outros estados do Brasil se deslocam para poder estudar na UnB. No entanto, acabam enfrentando muitas dificuldades para se estabelecer no DF em relação à moradia, despesas e alimentação.

Segundo dados da Assessoria de Assuntos Internacionais da UnB (INT), de 2011 a 2018 entraram 1088 alunos intercambistas (apenas pelos programas da INT). Cerca de 1500 estudantes, em toda a UnB, dependem do auxílio moradia, de acordo com a Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS). “Esses números vão aumentar em breve porque está próxima a data do resultado do edital de seleção que oferece 31 vagas para a Casa do Estudante (CEU) e 85 vagas para a modalidade pecúnia”, afirma o coordenador dos programas de assistência, Eduardo Lemgruber.

Estudante de biblioteconomia Leonardo Marçal

Administrar a rotina de estudos, trabalho e finanças no início da vida acadêmica muitas vezes acaba prejudicando a saúde mental dos alunos e dificultando o desempenho no curso. Como conta o estudante goiano de biblioteconomia Leonardo Marçal, a adaptação pode ser difícil: Leonardo passou por vários transtornos devido à sua sexualidade e problemas financeiros. As coisas só melhoraram quando o aluno buscou ajuda na DDS. “Me ajudaram com o recurso do auxílio emergencial e me encaminharam para diversas terapias com psicólogo”, relatou. “Eu consegui focar nos estudos e me conhecer melhor. A universidade é minha casa, até porque eu moro aqui e vejo nela uma oportunidade de melhorar minha vida”.

O piauiense Júlio Sousa (presente na foto de destaque), estudante de Engenharia Mecatrônica, também enfrentou dificuldades.  Ingressou na UnB no ano de 2012, mas a bolsa de assistência só chegou cerca de três meses depois. Nesse tempo, Júlio teve que pagar o aluguel a alimentação. “Eu tinha que escolher entre almoçar ou jantar para ter que vir para aula. ” Ele alega, porém, que ter adquirido a bolsa foi algo que mudou sua vida.

Apesar das barreiras, Júlio agradece a oportunidade de poder abrir os horizontes e estudar. “Foi aqui que eu aprendi o que era diversidade. De onde eu venho tudo é muito na linha de como a sociedade deve ser. Enquanto isso, na UnB eu vejo gente de todo lugar e de todos os jeitos: pobre, rico, hétero, LGBT, negro e indígena. Eu acho que ela sempre está aberta ao debate e é a maneira que o pobre encontra de alavancar na vida. E nesse sentido eu agradeço muito à UnB por ter tido essas oportunidades. ”, afirma.

Na UnB também estão matriculados estudantes de outros países, seja por intercâmbio ou não. Salis Osika, natural de Gana e estudante de Relações internacionais, falou sobre sua experiência na universidade.

“Ser estudante estrangeira não é tão fácil assim por estar longe da família e também pela língua. E temos que ter o desempenho igual ao dos colegas. Então para mim foi um pouco difícil, mas agora eu estou mais acostumada. Acerca do preconceito, eu não sofri nenhum até agora, mas eu fui bem acolhida aqui. ”, disse a aluna. Salis enfrentou os mesmos problemas que outros estudantes em relação ao aluguel, mas agora está ajustada na casa do estudante (CEU).

Na Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS) é possível se candidatar para as bolsas de moradia, assistência estudantil e alimentação. Mas atenção, do processo de inscrição até o resultado do edital pode durar em média um semestre. Caso o estudante esteja precisando muito de ajuda, deve recorrer aos auxílios emergenciais.

Por Hallana Moreira

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