A UnB e o trânsito de Brasília

Editorial

Caro leitor,

“Caro” realmente foi uma palavra que definiu essas últimas semanas. Em especial esta, que foi dedicada à temática do trânsito. Foi uma semana em que a situação começou a voltar ao normal após a greve dos caminhoneiros. Uma greve que afetou diversos setores de abastecimento, incluindo a Universidade de Brasília. Mas vamos jogar um verde: a mobilidade dentro da Universidade – e fora dela –  nunca foi lá essas coisas. Sem contar que o transporte público em Brasília já estava precário bem antes da greve começar.

Vamos por partes, começando pela cidade até chegar à UnB – que é o foco do nosso jornal.  Brasília, a cidade centralizada. A capital do país. Quando pensamos em capital, já imaginamos movimento, aglomeração,  um turbilhão de carros, motos e ônibus. Bom, salvo os engarrafamentos que acontecem em horários de pico, a realidade não é bem essa.  É de conhecimento geral de quem mora aqui que nos encontramos em uma cidade muito espaçada – tudo fica meio longe. A própria UnB é um reflexo disso. Vamos supor que você, estudante ou professor, tem uma aula às 8h da manhã em uma sala lá do BSA norte; e, logo em seguida, uma outra aula lá na última sala do BSA sul. Dureza, né? E real, acontece com muita gente. Como você faz para chegar lá em menos de 5 minutos, já que teve que parar para tirar uma dúvida necessária ou comprar um café rapidinho, é um mistério. Muita gente tem a ideia de comprar um daqueles skates modelo cruiser para ajudar ou usam as bikes do GDF disponíveis em alguns pontos da Universidade.

Um ponto bacana, inclusive, a chegada dessas bicicletas. Ajudou bastante gente na locomoção entre os prédios – por vezes tão longes uns dos outros. Porém, nem tudo são flores na vida de quem está pedalando. O respeito pelo ciclista é algo que, infelizmente, ainda precisa ser ensinado e efetivado não apenas na Universidade, mas na própria cidade. Já houve casos de atropelamento dentro do campus da UnB (um deles, esse ano, no mês de maio. Clique aqui para ver a notícia). Os dados mais recentes divulgados pelo GDF (disponíveis no site, mas você pode ver clicando aqui), só em 2016, houve 8 mortes envolvendo ciclistas em Brasília. E não podemos esquecer o caso recente que ocorreu com um aluno da UnB, o ciclista Raul Aragão de 23 anos, que faleceu após ser atropelado por um carro em alta velocidade na Asa Norte. O rapaz era voluntário de uma ONG chamada “Rodas da Paz”, que tem justamente o objetivo de reduzir a violência no trânsito na cidade.

Essa última semana do mês foi a última do Maio Amarelo – que é o mês de conscientização no trânsito. Por ser um tema tão importante, o Campus decidiu ter o enfoque dessa semana nisso. Afinal, a mobilidade faz parte do nosso dia a dia universitário e, tão importante quanto saber como estão as coisas pós greve e falta de combustível, é saber que ainda há muitos lados que precisam ser vistos por todos os retrovisores.

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