Estudantes indígenas ingressam na UnB por meio de vestibular específico

Comportamento

No primeiro semestre de 2018, a Universidade de Brasília (UnB) recebeu 29 estudantes de comunidades indígenas. Na segunda metade do ano, 17 alunos da mesma categoria ingressarão na instituição. Eles são participantes do vestibular específico indígena da UnB, uma avaliação aplicada em pólos próximos a comunidades indígenas de todo o país. O programa é parceria entre o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a UnB.
A prova é realizada em locais de fácil acesso aos grupos em decorrência das dificuldades de locomoção enfrentadas por esses povos. “Não é viável um aluno sair da sua comunidade para fazer prova em Brasília ou em outras capitais, principalmente pela falta de renda e acessibilidade”, explica Cláudia Renault, coordenadora da questão indígena na UnB e responsável pela Maloca, espaço de convivência e apoio às comunidades indígenas na universidade.
Para participar das avaliações, o estudante deve morar em comunidade indígena e ter uma atuação ativa em seu povo. Além disso, é necessário ser estudante de escola pública ou aluno bolsista, caso a instituição seja particular. Após a aprovação no vestibular, o participante passa por uma entrevista, em que é avaliado por uma banca. A ideia é certificar que o estudante de fato veio de um grupo de índios.
O projeto oferece 1% de vagas suplementares de diversos cursos, como Medicina, Enfermagem, Ciências Biológicas, Agronomia, Ciências Sociais, Comunicação Organizacional, Jornalismo, Fisioterapia e Gestão do Agronegócio. “São cursos voltados para as necessidades dos estudantes em suas comunidades. O propósito é de capacitar esses alunos, para que eles retornem às suas terras e elas possam então se sustentar com seus profissionais e cientistas, que irão defender as causas dos índios”, afirma Cláudia.
A coordenadora também ressalta que a prova aplicada nos pólos tem os mesmos princípios de outros vestibulares oferecidos pela UnB. “Não há diferenciação de conteúdo e nem de prova [em comparação ao vestibular comum]. Eles fazem uma prova com todas as disciplinas, e uma redação, como todos os estudantes da universidade. Eles concorrem entre eles, mas é tão ou mais disputado quanto o vestibular comum, porque o número de inscritos é muito grande.”, explica. No primeiro convênio do programa, entre 2004 e 2013, a UnB realizou sete vestibulares específicos, pelos quais ingressaram 109 alunos de comunidades indígenas. O segundo convênio, que ocorreu entre 2015 e 2017, contou com uma avaliação. Até o fim de 2018, a UnB receberá 46 estudantes indígenas para cursos de graduação e 25 para pós-graduação.
Thaine Rinalda Pereira Alves, estudante indígena, do 1º semestre de Administração na UnB
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Quebra de barreiras
Cláudia Renault explica que o acolhimento desses alunos na universidade conta com apoio da Maloca. A instituição auxilia os estudantes indígenas na superação de barreiras como o idioma, as dificuldades acadêmicas e a convivência com outros estudantes.“A proposta do espaço é acompanhar e acolher os estudantes além de articular, com professores e coordenadores, estratégias para viabilizar uma permanência mais tranquila desses indígenas”, garante.
Segundo a coordenadora, depois que essas dificuldades são derrubadas, os alunos passam a se destacar nas atividades universitárias. “Vencendo essas primeiras barreiras de acompanhar o conteúdo, eles têm se desenvolvido com média melhor do que outros alunos dentro da universidade. O que a gente tem visto é que são alunos que se interessam por pesquisas em determinados temas que eles poderão trabalhar dentro de suas comunidades. Eles estão buscando um espaço diferenciado”, comenta Cláudia.
Por Rebeca Borges

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