Com o intuito de criar um Centro de Convivência de Mulheres, universitárias estão ocupando há duas semanas a sala BT-168 no ICC Sul. A decisão foi tomada em assembleias em que se reúnem cerca de 30 estudantes e que ocorrem semanalmente desde março. Elas passam dia e noite na sala, em esquema de revezamento.

De acordo com as ocupantes, a motivação para criar o Centro é a falta de visibilidade e de providências em relação aos recorrentes casos de violência contra a mulher, como assédio, agressões físicas e verbais, estupros e feminicídios que ocorrem no ambiente universitário.

Em seu manifesto, o movimento afirma que é consensual a necessidade de um espaço físico permanente e exclusivo para mulheres na UnB.

A escolha do local, o Instituto de Ciências Centrais, foi por causa da visibilidade, acessibilidade e do caráter simbólico do Instituto. O intuito dele é ser um centro de troca entre as diversas áreas da ciência. Para elas, é intransferível a alocação para outro prédio.

A ocupação é mantida por meninas de diversos cursos, que, por segurança, preferem não se identificar. Elas estariam sofrendo ameaças de estudantes homens por estarem lá.

Foto: Thays Martins

Por meio de nota, a Reitoria afirma conhecer que a criação de um Centro de Convivências de Mulheres estava na pauta das ocupações do fim do ano passado. Por isso, duas reuniões foram agendadas com representantes desses movimentos. De  acordo com a nota, as reuniões não foram realizadas  por  falta de retorno do grupo.

A administração se disse surpreendida com a ocupação que começou no dia 3 de maio. Ressalta que, desde então, uma comissão de negociação, formada pelas decanas de Ensino de Graduação e de Extensão e pelo decano de Assuntos Comunitários, tem estado em diálogo com o movimento das mulheres.

Além disso, a Reitoria afirma que foram propostas ações de curto, médio e longo prazo, com vistas a atender às demandas. Entre as propostas, estão a elaboração conjunta de um protocolo de acolhimento de denúncias de violência e a ocupação provisória de uma sala, junto à Diretoria de Diversidade, até que haja a instalação do Centro em espaço definitivo.

A sala ocupada abriga oito turmas de cinco unidades acadêmicas. Algumas aulas foram realocadas, mas outras estão suspensas.

Foto: Thays Martins

Pela Universidade

Estudantes divergem sobre a necessidade de instituir esse espaço. Para a aluna de Serviço Social Kaeta Bizoto, a criação do Centro é de extrema importância. “A UnB é conhecida por ser a primeira Universidade brasileira a ter criado um Centro de Convivência Negra, em 2006, que foi uma conquista dos estudantes. Eu acho que as mulheres estão indo por esse mesmo caminho, buscando seus direitos”, diz.

Ela relembra o caso de Louise Ribeiro, estudante vítima de feminicídio dentro da UnB, em abril de 2016. “Um Centro de Convivência de Mulheres mostraria para a Universidade que nossas vidas importam, que nós estamos aqui”, afirma.

A estudante de Gestão de Políticas Públicas Camila Alves não acha que seja necessária a criação de um espaço específico para mulheres. “Se for assim, a gente vai ter um Centro de Convivência para cada grupo específico - homossexuais, homens, etc -, o que vai acabar dividindo muito todo o ambiente universitário”, pontua.