O Campus Online foi ao Decanato de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional (DPO) escutar as explicações da reitoria e foi recebido por Denise Imbroisi, do Departamento de Economia da UnB e decana da pasta, juntamente a Fernando Santos, assessor do órgão, Gláucia Lopes, diretora de orçamento, e Sérgio Ferreira, coordenador de programação orçamentária.

Segundo Denise Imbroisi, não há certeza de que a Universidade vá demitir o número de funcionários apresentado no relatório da comissão.` "A comissão foi formada justamente para pensar alternativas que ajudem a resolver o grave problema financeiro pelo qual estamos passando".

Os dados da queda de orçamento são mesmo alarmantes. De 2016 para 2017, no que tange os recursos vindos do Tesouro Nacional, houve uma queda de 37,8% no dinheiro destinado a despesas correntes (de R$ 219,5 milhões para R$ 136,6 milhões) e de 49,7% para investimentos (R$ 49 milhões no ano passado e R$ 24,6 milhões em 2017).

  

Além disso, houve queda de mais de 55% no orçamento de fonte própria, resultado de contratos e patrimônios da própria Universidade, para despesas correntes, caindo de mais de R$ 162 milhões para R$ 71 milhões.

A única parte do orçamento que teve alta foi a de investimentos de recursos próprios. Mas foi um aumento de apenas R$ 15 milhões, o que nem de longe supre as demais perdas.

Com esses números, o DPO afirma que o quadro de funcionários deve ser mesmo reduzido, ainda que não haja um número fechado até o momento. Hoje, o gasto com serviços e contratos terceirizados é de longe a maior fatia das despesas de funcionamento da UnB - mais de R$ 14 milhões mensais, muito acima dos R$ 2,27 milhões de água, energia e telefone, 2º maior gasto da área. Veja o gráfico:

Essa sopa de números resulta numa situação em que o montante disponível para custeio em 2017 é quase R$ 100 milhões menor do que o previsto de despesas de funcionamento, que beira os R$ 250 milhões, conforme o gráfico abaixo.

Segundo o decanato, o momento atual é de negociação com as empresas de serviços terceirizados para encontrar alternativas. Os gestores afirmam que algumas já apresentaram, inclusive, formas de desconto para que a UnB consiga arcar com os contratos.

Imbroisi diz que a gestão preza pela responsabilidade. "Não podemos estimular contratos sem saber se vamos conseguir pagar os trabalhadores, temos uma responsabilidade que é também social aqui".

Já Fernando Santos, assessor do DPO, afirma que a prioridade da gestão será manter ao máximo os serviços de segurança da universidade e que o órgão está buscando, junto às empresas, soluções "criativas" para diminuir custos sem prejudicar o serviço - como, por exemplo, deixar fechadas algumas entradas de prédios com quatro ou cinco portões, de forma a ter menos gastos com portarias.

Frente às críticas, a decana pediu união da comunidade universitária. "Nós somos quem menos quer demitir funcionários", disse. Para Imbroisi, é possível encontrar alternativas às demissões com base no diálogo, buscando tanto compreender a crise pela qual a UnB atravessa, quanto as necessidades de quem usufrui da Universidade.