Problemas hídricos da instituição vão além do racionamento no DF e não há prazo para resolvê-los

A crise hídrica que o Distrito Federal enfrenta impacta nas mais variadas atividades da sociedade. Na Universidade de Brasília (UnB), o cancelamento de aulas no Centro Olímpico (CO), os banheiros interditados, os prédios sem manutenção hidráulica e os bebedouros quebrados tem afetado o dia a dia de quem frequenta a instituição. Para piorar a situação, a empresa terceirizada que cuidava de toda a estrutura hidráulica do Campus Darcy Ribeiro rescindiu o contrato, e a empresa substituta ainda não assumiu, além disso, a Prefeitura do Campus dispõe de apenas três servidores para a manutenção dos bebedouros.

As reclamações são muitas. Estudantes da Faculdade de Comunicação (FAC) criaram um abaixo-assinado reivindicando a reabertura dos banheiros da unidade, fechados há pelo menos um mês. Na manhã de quarta-feira (24), cerca de 30 alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) foram ao prédio da Reitoria reclamar da demora em reabrir os banheiros da faculdade. Eles fizeram uma fila para usar os banheiros do prédio da administração.

Foto: Gabriel Martins

Na Faculdade de Tecnologia (FT), a estudante do 7º semestre de Física Myllena Cardoso reclama de um problema ocorrido no dia 17 de abril. “Foi por volta de 15h40. Esperava minha aula começar e nos bebedouros estavam saindo um fio de água bem sujo”, afirma.

Segundo o professor Sérgio Koide, do Departamento de Engenharia Elétrica e Ambiental da UnB, a tubulação da Asa Norte é feita de ferro fundido, em que a ferrugem fica com escamas que secam quando a água é cortada e é levada pelos canos quando o abastecimento é normalizado.  “Em termos de qualidade, não há problemas, só o teor de ferro que aumenta. A única solução é deixar a água correr um pouco. Isso vai melhorando na medida que formos repetindo os ciclos de racionamento”, explica o professor. 

Já o estudante Alexandre César, de 18 anos, que cursa o 2º semestre de Filosofia, cita a baixa pressão da água nos banheiros do Bloco de Salas de Aula Norte (BSAN). “Quando não estão totalmente sem água, o fluxo é ruim, pouco”, argumenta.

Myllena Cardoso (20) também presenciou os bebedouros sem água na Faculdade de Tecnologia (FT), no dia 11 de abril. “Saí do Bloco de Salas de Aulas Sul (BSAS) correndo, pois tenho aula até as 13h50 lá e aula na FT às 14h. Quando cheguei à FT, morrendo de sede, não tinha água. Eu e meu namorado tivemos que comprar água”, reclama.

A reportagem foi a campo conferir a situação de alguns bebedouros e banheiros do Campus Darcy Ribeiro e encontrou vários problemas. Assista:

O prefeito do Campus Darcy Ribeiro, Valdeci da Silva Reis, alega que a principal causa desses problemas não é o racionamento, mas a desistência da empresa Nova Local Rio, responsável pela manutenção e serviços hidráulicos da Universidade, de prestar serviços para a UnB. “Acredite, em função da nossa localização geográfica, a UnB fica numa parte baixa, não chega a esvaziar a nossa tubulação. Não temos sentido ainda este problema. No dia seguinte, quando volta a água, nós ainda não ficamos sem”, afirma Valdeci.

 

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Em relação aos bebedouros, a manutenção é feita pela Diretoria de Manutenção (Dimeq) da Prefeitura. Mas apenas três servidores atendem todo o Campus. “Até onde tenho conhecimento, eles estão fazendo a manutenção em todos os bebedouros. Mas eu não tenho a capacidade de atender a Universidade toda com três servidores. Acaba comprometendo o atendimento, que estava indo muito bem antes de a empresa pedir a rescisão do contrato”, constata Valdeci. Veja as explicações do prefeito:

Problemas no abastecimento

Recentemente, a Prefeitura descobriu uma antiga caixa d’água subterrânea com capacidade para 750 mil litros. Ela está totalmente cheia, mas os técnicos acreditam que a água esteja lá há cerca de 20 anos. A Prefeitura vai analisar a água e pretende usá-la para regar os jardins. O Castelo D’Água é outro reservatório que a UnB não usava e que pode ser reativado: ele tem capacidade para 450 mil litros.

Enquanto essa capacidade de armazenamento não é liberada, o Centro Olímpico fica sem aulas em dias de racionamento de água no Distrito Federal. O prédio não tem reservatório próprio. A UnB vai comprar, em caráter  emergencial, um sistema de caixas d’água para o prédio. “Se tudo correr bem, antes do meio do ano podemos estar com isso feito”, informa Koide. O prefeito do Campus Darcy Ribeiro, Valdeci da Silva Reis, afirmou que o processo de licitação para a compra das caixas d’água já está em andamento.

Além das medidas emergenciais, a Comissão de Crise Hídrica, presidida pelo vice-reitor Enrique Huelva, também elabora um plano para reduzir o consumo de água do Campus Darcy Ribeiro, que hoje está na casa dos 30 mil metros cúbicos ao mês, pelos cálculos de Sérgio Koide. Modificações na tubulação do Instituto de Ciências Centrais, o Minhocão, estão entre as medidas estudadas.

“É um prédio que sempre tem muitas perdas. As instalações são velhas e complicadas de mexer, porque a tubulação passa pela galeria de serviços no subsolo. Mas é uma coisa que teremos que mudar”, argumenta Sérgio Koide. Outra ação é a troca dos vasos sanitários e torneiras do Centro Olímpico por produtos com válvulas que liberam uma quantidade menor de água.

Sérgio desenvolve desde 1990 um projeto que monitora o consumo noturno, horário em que os gastos são quase zero, dos prédios do Darcy Ribeiro. O objetivo é identificar vazamentos e outros problemas na rede de abastecimento. Os resultados impressionam. O consumo que chegou aos 70 mil metros cúbicos por mês, caiu para 35 mil em 2015.

Você pode avisar a Prefeitura do Campus sobre um vazamento, bebedouro com defeito ou qualquer outro problema via mensagem. A Diretoria de Segurança recebe o comunicado e encaminha para o setor responsável. WhatsApp: (61) 99263-5760