Caso está sendo investigado pela 20º DP do Gama

Fotos: Paloma Fachinnelli

Pichação que exibe os dizeres “Fachinelli viva o estupro coletivo / Sofia sua gostosa vou te estuprar”

No dia 8 de maio, uma das paradas de ônibus da Faculdade do Gama (FGA) foi pichada com ameaças de estupro a duas estudantes do campus. Indignada, a estudante de Engenharia Paloma Fachinelli, citada na pichação, desabafou via redes sociais e resolveu procurar ajuda.

A estudante diz que  conhece os responsáveis pelo ato e que um deles chegou a confessar perante a diretoria da faculdade: “Todo mundo se conhece, aqui o Campus é pequeno”. Após fazer um boletim de ocorrência na Polícia Civil e recorrer à diretoria da Faculdade, Paloma diz que obteve ajuda da coordenação do campus e se sentiu mais segura. Mas a diretoria disse à estudante que as chances de obter atitudes mais drásticas através do processo administrativo eram pequenas. No mesmo dia, a pichação foi apagada por amigos da vítima. 

A professora de Engenharia de Software Edna Dias Canedo relata que casos como esse são comuns dentro da FGA. A docente, que está na faculdade desde a inauguração do prédio em 2008, conta que o  fato de o ambiente ser composto na sua maioria por homens faz com que eles se sintam à vontade para humilhar as mulheres. “Boa parte das alunas diz já ter sofrido assédio e que o ambiente da FGA não é adequado ao público feminino”, relata.

Arte: Thays Martins

Fonte: Edna Canedo

Já a estudante de Engenharia de Software Martha Medeiros explica que não há uma iniciativa da direção, nem da reitoria no combate ao machismo dentro da FGA, e que as iniciativas existentes no Campus Darcy Ribeiro raramente chegam até o Campus do Gama. “Eles apoiam a gente, mas de longe. É assim ‘nós estamos com você´, mas lá do Darcy”.

Para ela, o que falta são as mulheres da FGA se organizarem para buscar combater essas opressões. “Se não partir das estudantes da FGA não vai mudar muita coisa”, conclui. Escute seu relato.

Como forma de combater essa e outras injustiças contras as mulheres, foi criado o grupo do Whatsapp Network das Minas na FGA. Representante do grupo, a estudante de Engenharia de Energia Isabella Sene explica que muitas estudantes procuram o grupo para relatar casos de assédio sexual e moral dentro da Universidade. “A gente tem, em média, um por semana”, diz.

Ela conta que o medo acaba inibindo as meninas de levarem as denúncias para a delegacia. “Nesses casos nós encaminhamos para a Diretoria de Diversidade no Darcy Ribeiro para a partir disso serem tomadas providências administrativas, como a advertência do aluno, e a estudante continua anônima”, explica.

No dia 9 de maio, os estudantes realizaram um protesto no campus. Vestidos de preto e com cartazes contendo frases de apoio às vítimas e de combate ao machismo, alunas e alunos da faculdade se reuniram para realizar a manifestação e discutir sobre a questão de gênero e violência contra a mulher.

Fotos Edna Canedo

Manifestação dos estudantes da FGA

Mais um caso

Isabella Sene lembra que, na mesma semana da pichação na parada de ônibus, outro caso foi recebido pelo Network das Minas. Dessa vez, um estudante da FGA ameaçou pelo Facebook divulgar fotos íntimas de uma aluna. “Esse aluno já fazia perseguição à estudante há dois anos e também a outras meninas, inclusive já agarrou uma à força”, conta. O caso está sendo apurado pela 20ª DP do Gama.

Faculdade de Ceilândia

No início de maio, estudantes da Faculdade da Ceilândia (FCE) foram agredidas durante uma festa organizada por estudantes na Mansão FF, em Vicente Pires. As agressões foram motivadas pelo não interesse das vítimas no agressor. As meninas procuraram a Diretoria de Diversidade (DIV) e foram orientadas a denunciar.

No Darcy Ribeiro, outra denúncia é em relação a uma pessoa que assedia meninas na fila do ônibus. O agressor não é estudante. Confira o relato da estudante de engenharia química Marianna Borges.

 

Fotos Thays Martins

 

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