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Jornal-laboratório
Faculdade de Comunicação
Universidade de Brasília

Nem toda brasileira é bunda

Gabriella Furquim

 

Gisele Bündchen sempre é notícia. De calcinha e sutiã, então, é impossível não notar a moça. A polêmica da propaganda da marca de lingerie estrelada pela top model incomodou até o governo federal. A Secretaria de Políticas para Mulheres pediu ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária) a suspensão da campanha comercial “Hope Ensina”. No vídeo Gisele dá notícias nada agradáveis ao marido, como “estourei o cartão de crédito” e “a mamãe vem morar com a gente”. No primeiro take, Gisele, com roupa, mostra certo pesar ao contar a notícia. Errado, taxa a propaganda. Depois, a top model aparece só de calcinha e sutiã e conta a mesma novidade usando e abusando do requebrado e da simpatia. Agora, sim, certo! A propaganda acaba com a frase emblemática: “Você é brasileira, use o seu charme”.

 

A suspensão da propaganda foi comemorada pelo pessoal do politicamente correto. Já os menos conservadores falam em censura. Eu, como boa brasileira, acredito que, sim, somos as mulheres mais bonitas do mundo. Mas não é pela bunda, nem pelo requebrado. A mulher brasileira precisa entender o seu valor – e ele não está apenas no quadril. A campanha realça o velho estereótipo da mulher brasileira e só. Errado o comercial? Acredito que não. Ela só refletiu uma idéia machista impregnada na cabeça de homens e mulheres brasileiros ou não. Só poderia ter sido mais inteligente ao invés de explorar conceitos tão batidos. E olha que a bunda da Gisele Bündchen nem é lá essas coisas.

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Sexta, 14 Outubro 2011

3 comentários

  • Link o comentário Nayara Quarta, 26 Outubro 2011 postado por Nayara

    Não vi nada demais na propaganda. Ms quando vi pela primeira vez pensei logo que não ia durar muito no ar porque ia ter alguém pra dizer que é machista. O mundo está ficando cada dia mais chato.
    Concordo com o Roberto Marinho em gênero, número e grau.
    E digo mais, pra mim, machista é um comercial de um carro aí que o cara se pergunta "e se eu fosse o unico no mundo", vê que é chato e reformula "e se eu fosse o unico homem do mundo?" e aí, com seu carrão, ele passa por um monte de mulheres que só olham pra ele. Perceberam? Mulheres são marias-gasolinas.
    Quem devia reclamar da propaganda da Hoppe então deviam ser os homens, pois ela reforça o estereótipo de que homens só pensam em peitos e bundas.

  • Link o comentário Roberto Marinho (direto do além) Terça, 25 Outubro 2011 postado por Roberto Marinho (direto do além)

    Essa opinião eu já li por aí em mil veículos. A questão é: a Secretaria de Políticas para Mulheres não tem nada mais importante pra se preocupar? Pq não vai cuidar da Dona Maria que tá tomando porrada do marido no interior da Paraíba? Encher o saco da Gisele dá atrai mais atenção, né?

  • Link o comentário Luana Luizy Quinta, 20 Outubro 2011 postado por Luana Luizy

    se a sociedade é machista e a propaganda corrobora tal ideia, ainda sim é certo veiculá-la?
    a mídia deve ser um espaço que explore diversidade que seja plural, democrático, respeite valores, crenças, questões de gênero, para mim o comercial é tão errado como a sociedade que vivemos. A publicidade no Brasil tão premiada lá fora, considerada umas das melhoras do mundo, passa por uma intensa crise de criatividade, refletida na veiculação de esteriótipos, rebaixando e vulgarizando a imagem da mulher brasileira.

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