O núcleo de Medicina Tropical da UnB realiza um projeto de monitoramento do Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue) desde fevereiro de 2017, na cidade de São Sebastião. É a região do DF onde a incidência do mosquito é mais alta. Para combater o mosquito é utilizada uma substância chamada Pyriproxifen (PPF), responsável por inibir a reprodução da espécie. Além disso, o projeto testa uma nova forma de controle dos mosquitos, financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa DF (FAP).

O professor Rodrigo Gurgel, de Medicina Tropical, um dos coordenadores do projeto, explica que no ano passado desenvolveu também uma pesquisa na UnB para mapear a concentração de mosquitos na faculdade de Medicina (FM) e Saúde (FS). “O objetivo do projeto é analisar a distribuição de Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus (pernilongo comum) em diferentes ambientes da Faculdade de Medicina e Saúde da Universidade de Brasília durante o período chuvoso de 2017 e 2018”, afirma Rodrigo.

A coleta dos mosquitos para a pesquisa foi realizada utilizando aspiradores elétricos, quinzenalmente. A amostragem foi realizada em 5 salas administrativas (Direções e secretarias), 5 salas de aulas e 10 banheiros (5 Masculinos e 5 femininos) da Faculdade de Saúde e Medicina, sendo contabilizado o tempo de aspiração para estimar o número de mosquitos capturados por unidade de tempo de cada ambiente de coleta.

No total foram capturados 898 mosquitos. Destes, 105 eram o mosquito da dengue e 793 eram pernilongos. A maior frequência destes últimos se deu principalmente no mês de janeiro. A partir de fevereiro, a densidade de mosquitos aspirados foi menor que 1. Com a pesquisa, foi identificado um maior número de_ Aegypti_ nos banheiros, enquanto os Pernilongos foram encontrados mais nas salas de aula. O monitoramento preliminar do projeto na UnB foi feito na FM entre dezembro de 2017 e março de 2018.

Arte: Thifany Batista

Segundo Rodrigo Gurgel, para o próximo semestre será feito testes para intervir na quantidade de mosquitos “A partir do segundo semestre iremos testar a intervenção com estações disseminadoras do PPF na UnB”, afirma.

É importante ressaltar que mais de mil municípios brasileiros apresentam infestação do transmissor da dengue. O Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), divulgado no dia 7 de maio, indica ainda alerta para surto em outros 2.069 municípios, sendo 16 deles capitais, incluindo Brasília.

Todo cuidado é pouco e não deixar água parada continua sendo a recomendação principal, pois assim as fêmeas não terão um lugar adequado para que seus ovos se desenvolvam. Deste modo, a população de mosquitos adultos será reduzida até não representar mais perigo. O uso de repelentes para se proteger no campus também é uma forma recomendada, desde que não exista nenhum tipo de alergia ao produto.