Política
Insatisfeitos com a política decidem se abster de votar
Apesar da população ir, novamente, às urnas neste domingo, há quem não participará do pleito, seja por impossibilidade, seja como forma de protesto

O Brasil volta, hoje, às urnas novamente para decidir, em alguns estados, o governo local, e, em âmbito nacional, o próximo presidente da República. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 147,3 milhões de eleitores aptos a votar. No entanto, existe também o caso dos cidadãos que não votarão. Eles, por exemplo, devem se encaminhar aos centros de justificativa de voto para explicarem o motivo de ausência.

Mas há situações de quem não pensa nem em comparecer ao local e, assim, pagar a multa de R$ 3,51, por turno. É o exemplo de Sanny Patu, 38, professora de língua japonesa. Sanny tem trajetória curiosa. Viajou para a Tunísia, em 2011, com a intenção de cursar um doutorado e viver no país. “Eu fui para fazer doutorado. Vivia em Tunes (capital do país) e, lá mesmo, consegui um trabalho na universidade local”, explica. De acordo com a docente, quando se mudou, o engajamento com a política era maior. “Antigamente, fazia questão de votar. Em 2014, naquelas eleições, votei lá mesmo. Fique muito curiosa também com a boca de urna que era feito dentro da embaixada brasileira instantes após os votos dos brasileiros”, revela. Quando regressou ao Brasil, em 2015, a professora diz que o desinteresse e decepção com os rumos da política lhe fizeram se afastar do pleito deste ano. “O meu título de eleitor está registrado na Tunísia. Se quisesse votar hoje, teria que transferir alguns meses atrás. Porém, o nível dos políticos que disputam as vagas me impediu. O que ocorre na política é surreal, e as pessoas não têm mais noção de nada, levando tudo ao pé da letra e dando vazão para informações que não existem”, reclama.

Ainda em 2011, Patu revela ter tido, de forma curiosa, um contato de imediato com o início das investigações da Operação Lava Jato. “Eu traduzi, para francês, (Sanny também é graduada e ministra aulas de francês), muitas páginas das investigações para serem direcionadas às autoridades suíças. Nossa, fiquei horrorizada com os valores e até que ponto nós tínhamos chegado. Na minha época, as acusações e investigações miravam o setor empresarial e também o nome de doleiros, o que me impactou bastante”, revela. Assim, com o descrédito conferido aos políticos, a docente reitera que ficará neste domingo em casa e pagará a multa da não justificativa de votos, já que visa “evitar filas”. Sanny diz também que considera, seriamente, ir embora do Brasil em alguns anos, cogitando um futuro propício, em termos econômicos e sociais, para os filhos.

Justificativa de voto

Se por algum motivo você, cidadão (ã), não poderá votar neste domingo, o site do TSE indica zonas eleitorais de justificativa de votos, em Brasília, além do meio online. Confira: http://www.tse.jus.br/eleitor/servicos/cartorios-e-zonas-eleitorais/pesquisa-a-zonas-eleitorais. Em caso de não comparecimento, o eleitor precisa desembolsar, caso não justifique a ausência em até 60 dias após o pleito, o valor de R$ 3,51, solicitando o Guia de Recolhimento da União (GRU). No entanto, tal valor poderá ser alterado pela autoridade, caso não seja considerado compatível com o nível socioeconômico do ausente.